Em homenagem ao mês da mulher convidamos comunicadoras de moda e sustentabilidade para bater um papo legal sobre a construção de um futuro melhor para nós e para o planeta. Nossa primeira entrevistada é a Marcela Rodrigues, vem conhecer um pouco mais sobre ela! 

Jornalista por formação, Marcela se apresenta como facilitadora em consumo consciente e beleza limpa. Por convicção, prega um estilo de vida consciente e slow. Hoje tem 34 anos e há sete divide seus conhecimentos e opiniões no portal A Naturalíssima e também nas suas redes sociais como Instagram, Facebook e Youtube. Segundo ela mesma em seu site, sua missão é ‘informar, compartilhar, inspirar, empoderar, co-criar e promover o desenvolvimento humano por meio de práticas de autocuidado, beleza consciente, reconexão com a natureza e escolhas sustentáveis‘.

1. Como começou sua preocupação com a sustentabilidade e como esse se tornou o seu estilo de vida? 

Marcela Rodrigues: Há cerca de oito anos, quando eu realmente comecei a mudar hábitos, ampliar o olhar acerca do impacto que meu estilo causava ao mundo. Eu nunca tive um estilo de vida agressivo demais, sempre fui ligada ao bem-estar, comidas saudáveis, mas conforme eu estudava, sentia vontade de alinhar isso também ao meu trabalho. Na época, era jornalista de comportamento e saúde, mas logo emendei um emprego de repórter de moda e beleza numa grande editora. Para balancear, comecei a estudar temas que me interessavam e me ajudavam a praticar um estilo de vida mais sustentável. Me deparei com o impacto da indústria da beleza e o movimento slow living. Mergulhei nos dois e, desde então, pesquiso de forma independente. 

2. A moda sustentável fez parte desse processo? Como é sua relação com esse tema hoje? 

MR: Claro. De 2012 a 2017 eu trabalhei na Revista Manequim, primeira revista de moda do Brasil, ainda focada em modelagens. Apesar de não levantar diretamente esta bandeira, tinha um alicerce importante: uma conexão com o manual, o trabalho local das costureiras e o apreço pela matéria-prima de qualidade. Eu até retomei o hábito de ter costureiras. Quando aprendi a estudar sustentabilidade e andar neste meio, peguei ranço pela moda, hoje voltei a ter apreço pelo tema. Hoje, meu foco é em comprar pouco e, quando compro, priorizo marcas slow e/ou modelagens atemporais. 

3. Autocuidado, autoconhecimento e bem-estar são palavras-chave no seu trabalho. Qual a importância desses assuntos para as mulheres que te acompanham? 

MR: Autocuidado não tem regra, é uma prática muito pessoal. Por isso, eu costumo dizer que autoconhecimento é o pai do autocuidado, porque nos ajuda a entender o que realmente nos faz bem sem precisarmos de orientações da mídia, da indústria, enfim, externas. Eu venho falando isso desde que criei a minha plataforma, A Naturalíssima, há quase oito anos. Hoje percebo que, para a minha comunidade, autocuidado, bem-estar e autoconhecimento são ferramentas de resiliência, de conexão interior. E pra mim são temas íntimos da sustentabilidade. O bem-estar do presente só é bem-estar de verdade se for consciente, se respeitar o nosso ritmo, nossa saúde e, claro, o planeta. Eu acredito num bem-estar para a saúde planetária. 

4. Para você, como nossa forma de vestir e expressar através das roupas está ligada a isso? 

MR: Além de ser uma forma de expressão, cores, formas e detalhes estão ligados à beleza, mas não somente à beleza dos padrões estéticos. Se olharmos para a natureza veremos núcleos, formas e movimentos. Isso é beleza genuína. A roupa pode trazer isso e expressar alegria, paz, fluidez. Eu venho de uma longa temporada de nudes – pela estética, também por ser atemporal e, por isso, me permitir usar minhas roupas por mais tempo. Mas estou enlouquecida por peças cor-de-rosa, bem rosa. Quer dizer alguma coisa, pode ser o verão ou algo que nem percebi. Ou até mais autoestima, afinal, sempre gostei de rosa.

5. E como a moda sustentável e o consumo consciente podem ajudar a mudar o mundo? 

MR: Quando ressignificamos o vestir, tirando o protagonismo dos padrões, das tendências pré-escolhidas e tornamos isso parte do bem-estar. Quando acionamos nosso senso adequado para o sentido que a moda não é a vilã, mas sim as escolhas movidas apenas pelos desejos superficiais, ditaduras midiáticas e afins. E, assim, podemos fazer escolhas conscientes por meio do vestir priorizando marcas locais e nacionais; peças que têm sintonia com a nossa personalidade, mas que sejam atemporais; quando resgatamos técnicas milenares, como o tingimento natural e até mesmo cuidamos da nossa roupa para que ela dure mais. Por parte da indústria, que a tecnologia seja usada para reduzir danos. 

6. Um recado para outras mulheres que, assim como você, desejam participar dessa transformação? 

MR: Estejam atentas em cada escolha para que sejamos movidas por mais essência, menos tendência. Para isso, muito autoconhecimento, senso crítico e empatia ao empreendedorismo feminino, que tanto tem impulsionado estas mudanças em todas as áreas de consumo. O momento é de cocriação. Muitas vezes precisaremos sair da zona de conforto, mas é possível. Costumo dizer que não existe uma escolha sustentável perfeita, mas existe a consciente. 

7. Por fim, quer deixar alguma indicação de livro, filme, documentário, etc. sobre essa temática? 

MR: “Alma, Solo, Sociedade” e “A Simplicidade Elegante”, ambos do pacifista e ativista indiano Satish Kumar; E “Design Para Culturas Regenerativas”, do ativista e escritor inglês Daniel Wahl. Nenhum é sobre moda ou consumo e bem-estar diretamente, mas acredito que antes de chegarmos a estes temas precisamos desconstruir o olhar para temáticas mais amplas: simplicidade, conexão com a Terra, entendimento sobre regeneração…

Texto e entrevista por Kauara Borim