Reprogramar o mundo é o desejo de Paola Troian, objetivo que ela deixa bem claro em sua bio do Instagram. Aos 31 anos, se apresenta como cineasta, futurista e criadora de conteúdo. Usa seu trabalho para divulgar o veganismo, a sustentabilidade, a saúde e o bem-estar. É fundadora do portal Greenga e vive em defesa de um mundo mais verde. 

1. Como começou sua preocupação com a sustentabilidade e como esse se tornou o seu estilo de vida?

Em 2014, durante uma cadeira chamada “Sustentabilidade e Gastronomia”, na faculdade de gastronomia. Fui fazer pesquisas e cursos sobre plantio permacultural e biodinâmico. Entrei de cabeça nos orgânicos e pela primeira vez, me considerei ativista. Depois virei vegetariana, vegetariana estrita e, por fim, vegana. Fiz pós em Gestão Empresarial Ambiental pela FGV e não parei mais. Criei a Greenga e aqui estamos. Cada vez mais envolvida, apaixonada e motivada.

2. A moda sustentável fez parte desse processo? Como é sua relação com esse tema hoje?

Com o veganismo, veio naturalmente a introdução ao pensamento sistêmico, entendimento e paixão sobre impactos de cadeia. Eu, que sempre fui apaixonada por moda (inclusive, meu primeiro emprego no cinema foi em uma produtora especializada em fashion films), me joguei de cabeça nos conceitos de moda sustentável e de baixo impacto. Sou a maior fã de brechós, incentivadora de empreendedorismo slow fashion, tingimento natural e botânico, upcycling e zero waste. Meu guarda-roupas é 70% de marcas locais e responsáveis. Certamente, nessa área da minha vida, eu não sou nada minimalista, mas sou extremamente responsável com o uso e com o descarte (que só acontece com meias e roupas íntimas muito desgastadas). Do contrário, o destino é doação, logística reversa, brechó ou vendo para amigas que fazem upcycling. Ao contrário do que muitos afirmam, moda não é fútil. Moda é arte, expressão pessoal. E é mais um reflexo do cidadão político que somos. Então, vestir-se de forma ética é essencial.

3. Para você, como a moda sustentável e o consumo consciente podem ajudar a mudar o mundo? 

A escolha ética do vestir é observar os processos sistêmicos e as reações em cadeia que envolvem todos os processos de produção, consumo e descarte. Sabemos que a indústria da moda está entre as 5 mais poluentes do planeta e investir em produtores de cadeia transparente garante um menor impacto e uso de matéria prima responsável. Além dos impactos ambientais, é super importante se posicionar quanto aos aspectos sociais. Exigir condições de trabalho e remuneração justa é essencial.

4. Hoje você equilibra veganismo, saúde e bem-estar. Como a busca por esses hábitos se alinham com a sustentabilidade e como isso transforma sua vida e das mulheres que te acompanham? 

Estamos vivendo o iluminismo feminino. Como nunca antes na história da humanidade, as mulheres usam a internet para se conectarem umas com as outras, e buscarem ainda mais conhecimento sobre os seus corpos, seus impactos e suas infinitas possibilidades. Temos a oportunidade e a força para abraçar ainda mais nossa essência como seres regeneradores e criadores. Independente se formos mulheres com útero, mulheres trans, mulheres que não desejam uma prole, absolutamente todas as pessoas com seu feminino curado/aguçado vêem que aí está a chave-mestra para o futuro. O futuro é feminino. O eco-feminismo, por exemplo, é um posicionamento agregador, que vê a necessidade de se estabelecer uma harmonia profunda entre pachamama e humanos. E é assim que me identifico e são essas premissas que regem todos os meus conteúdos e embasamentos. O eco-feminismo prega que o bem-estar pessoal, social, econômico deve estar intrinsecamente ligado ao bem-estar ambiental. E eu gostaria que todos tivessem a oportunidade de visualizar a existência por esse prisma também.

5. Como sua forma de vestir e expressar através das roupas reflete o estilo de vida que você leva? 

Eu me identifico com estéticas futurísticas, sustentáveis e bem humoradas. Por isso, meu estilo é irreverente, exagerado, lúdico, maxi estampado e sempre consciente. Não sou adepta a modismos. Sei que tenho meu próprio estilo e incentivo todo mundo a ter o seu. Quando é para agregar frases, gosto que tenham impacto positivo também. Amo investir nos mais variados estilos de produção de moda sustentável. É genial mostrar que o movimento eco e slow transcendeu barreiras estéticas e hoje cria para todos os tipos de expressões pessoais. Naturais, grunge, dark, e-girls, etc.

6. Um recado para outras mulheres que, assim como você, desejam mudar o mundo?

A primeira parada para a viagem sem volta em direção ao futuro, é conhecer o seu próprio universo e fazer as pazes com ele. Descubra quem você é. Do que você gosta. Se respeite e se ame. Assim, se relacionar com outros seres se torna uma experiência empática, agregadora e realmente construtiva. Para mudar o mundo, primeiro precisamos estar dispostos a aperfeiçoar a nós mesmos. Meu maior aprendizado até agora foi esse: a paz constrói pontes indestrutíveis e futuros possíveis. E lembre-se: cada ser é um universo encantador e único. Assim como você. Por isso, a melhor estratégia para mudar o mundo é com gentileza e paciência.

7. Por fim, quer deixar alguma indicação de livro, filme, documentário, etc. sobre essa temática?

Livros: ‘O Legado Da Deusa’ da Mirella Faur, para aprendermos um pouco mais sobre nossa origem e ancestralidade e ‘Reinvente sua refeição’ do Pavel G. Somov, para nos conectarmos com nosso alimento. Afinal, somos o que comemos.

Documentários: Dieta de Gladiadores, Mision Blue, What The Health, Cowspiracy, Em busca dos Corais, Minimalismo Já, Minimalism, Iris, The True Cost, River Blue e The Story Of Stuff.

Texto e entrevista por Kauara Borim