Com apenas 25 anos, Marina é ambientalista e produtora de conteúdo. Com seu trabalho, encoraja ‘uma vida mais leve e conectada com a natureza’. Em 2012 se tornou vegana, desde 2016 planta seu próprio alimento e, nesse novo estilo de vida, passou a questionar velhos hábitos e buscar novas formas de caminhar pelo mundo. Atualmente, Marina desenvolve o projeto Minha Primeira Horta, em que ensina àqueles que também querem cultivar seu próprio alimento.

1. Como começou sua preocupação com a sustentabilidade e como esse se tornou o seu estilo de vida?

Marina Godward: Em 2012 eu decidi me tornar vegetariana e, apenas 1 mês depois, decidi me tornar vegana. A mudança e adaptação para um estilo de vida vegano fizeram com que eu adquirisse o hábito de, antes de olhar para fora, olhar para dentro e ver o que EU posso mudar, como EU posso fazer melhor, como EU posso ser um ponto de partida do que eu gostaria de ver no mundo. A partir daí comecei a questionar vários aspectos do meu estilo de vida, não só o que eu como, mas também o lixo que eu gero, a energia que eu gasto, o que eu visto…

2. A moda sustentável fez parte desse processo? Como é sua relação com esse tema hoje?

MG: Faz. A mudança para o veganismo e para um estilo de vida com menos lixo eu fiz de forma rápida, mas a transição para um guarda roupa ecológico tem sido um processo mais longo e demorado, por diversos motivos, como o fato de os bens não serem finitos (tipo comida e cosméticos), o fato de as escolhas “corretas” serem menos intuitivas para mim, e pelo fato de que a maioria das marcas serem pequenas e mais difíceis de acessar (não estão no shopping ou na feira, por exemplo). Por sorte eu tenho uma melhor amiga especialista no tema, que me ensina muito todos os dias!

3. Você é muito conectada à natureza através do veganismo, do cultivo, da yoga. Como essa conexão é importante para você e para as mulheres que te acompanham?

MG: Essa conexão trouxe sentido para a minha vida. Eu gosto de brincar que, quem cria problema onde não tem, deveria ir capinar (já que está com tempo de sobra para pensar em “asneira”). O veganismo, a yoga e, principalmente, o cultivo do meu próprio alimento me trazem de volta para a realidade, me aterram, me lembram do que importa de verdade nessa vida. Acho que isso é algo que eu consigo transmitir para as mulheres que me seguem, essa ideia de que uma vida simples pode ser extremamente satisfatória. Eu sinto que a reconexão com a natureza, nos (sendo nós, as mulheres) traz de volta para nossa raízes e nos liberta do peso de precisar corresponder a todas as expectativas que a sociedade tem da gente.

4. Para você, como sua forma de vestir e expressar através das roupas reflete essa conexão?

MG: Pra mim, o que a gente escolher vestir, pode, ou não, ser uma forma de valorizar as nossas raízes (através do resgate de roupas de família) e exaltar todo o potencial da natureza (através das fibras e tinturas naturais). Quando eu visto peças de mulheres que vieram antes de mim, eu sinto a força delas comigo, assim como, quando eu visto peças feitas com fibras e colorações naturais, eu sinto que carrego o esplendor da natureza no meu corpo.

5. E como a moda sustentável e o consumo consciente podem ajudar a mudar o mundo?

MG: Eu acredito que a moda sustentável vai mudar a forma com que toda uma indústria se relaciona com a natureza, vamos transitar de uma relação puramente extrativista para uma relação de interdependência. Não sei quanto tempo vai levar, mas sinto que é esse o nosso caminho, já que vivemos em um mundo de recursos finitos. O consumo consciente, atrelado ao conceito de moda sustentável, tem o potencial de jogar luz sobre a importância da preservação de recursos naturais, do resgate de tradições artesanais ancestrais, e do papel da mulher dentro de tudo isso.

6. Um recado para outras mulheres que, assim como você, desejam participar dessa transformação?

MG: Respira fundo, não se julgue pelo que ficou pra trás e lembre-se sempre de que você não precisa ser perfeita, você não precisa abraçar o mundo, você só precisa ser a melhor versão de si mesmo que você puder ser, um dia de cada vez. Você nunca está sozinha.

7. Por fim, quer deixar alguma indicação de livro, filme, documentário, etc. sobre essa temática?

MG: Pode muitas? De livro, a biografia da Ana Maria Primavesi, filmes O Começo da Vida 2 – Lá Fora e Solo Fértil (Kiss The Ground); de Podcast tenho amado O Tempo Virou, da Giovanna Nader.

Texto e entrevista por Kauara Borim